sábado, 17 de dezembro de 2016
Quando o homem nasce, sonhar é coisa pouca
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Água Viva
Lhe caindo a cara nova, por aí vem
Abaixo à colina gasta
Corre; Seus contornos são de castanheiro
Morre; Bem no fundo derradeiro
Sofre; É de correria, a catadupa
E na mata há nevoeiro
E não morreste afinal, só vieste juntar
Água viva de cada dia nos dai hoje
Vem; E me afaga levemente
Cem; São as lágrimas de meu lamento
Quem? Te gasta o nome, Água viva!
Se na praia há teu vento
sábado, 26 de novembro de 2016
Esqueceste-me, Pessoa
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
25 de Novembro
Adiado. Palavra nua que me despe consigo. Sim, sou isso, um adiado que não fez ontem; hoje não conta, e o amanhã não vem nunca.
Cá estou. A esteira que me trouxe, me leva devagarinho, e meu registo será oco, sem muito que se conte.
Venha a brisa até aqui. E que faça aplanar tudo o resto. Se cante baixinho, que a vida é balada muda. Ouçam.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Tente-se o poeta
Tente-se o poeta. A ele lhe pôr prazo na produção.
Como na montagem, as mãos repetentes
tocam o ferro, e o moldam de certeza.
Tente-se o poeta. E lhe peçam os favores,
para presentes de aniversário
Assim como quem quer coisa, e faz o pedido, esperando alegria
Tente-se o poeta. E se lhe mostre o sorriso, alegrando-o pois bem
Assim como se fácil fosse, o trabalho de viver contente
Tente-se! E se vá tentando, o poeta, e seu procedimento. Daqui a mais virá, como brinquedo de fabrico, seu mais fingido lamento.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Movimento
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando, escrevendo, sentindo...
Mais um cruento teclado? Se nem me sente ele a mim,
me toca direto o pêlo. Até me sente o arrepio
E me acolhe um cabelo
se abre desenrolando. E em toque de carinho,
Apagando, escrevendo, sentindo...
domingo, 6 de novembro de 2016
Os meninos brincando
pintaram o céu riscando. E no pardo céu soturno
encolheu a chuva os ombros, e nasceu um céu brando
Pouco a pouco, nuvem a nuvem. Lá se foi
o céu fingido. E seu tom gris, com a tralha colorida
dos balões e papagaios, partiu sem alarido
E se viram as cruzes vermelhas, dos fios enrolados
Os estrondos dos balões! Um grito afortunado!
Lá no fundo um sol novo, trouxe um dia inesperado
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Inspiração
Para onde vais? Tu que és graciosa
Subindo as escalas, deixando uma treita
Que quero guardar.
Teu perfume que me ocupa o tempo morto
E o jeito que se desvanece na ladeira
Quem és tu? Nem o digas de verdade, que não entendo
Um suspiro basta. E tua aura me sobeja
...Beija, meu corpo que se comove, e te acalça.
Uma referência - Tu És. Portanto,
mulher, te fito em meu momento nobre
Sei bem, que não sei que noto
Mas pelo menos, é para o céu que meu olhar aponta
João Luciano
27-10-2016
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
A poesia é um manto
A poesia é um manto, que encobre
dentro um ser, que querendo-se expor
não se dá ao mundo, sem que
o mundo se dê a ele
E dá-se então inteiro, o mundo sublime
em uma bandeja de elementos
Que fazem o poeta, ser
Uma rosa de dois ventos
Que sopra para dois lados, sem
muito ressentimento. Dizem que querer
de um mundo que se espera. Mas
que a mudança não vem deles
E se soltam as palavras, disfarçadas
pois bem; sabendo o que são
sem o serem. Diz o poeta: amor,
Sem saber ao certo para que foi
João Luciano
26-10-2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Chegou-me alegria
que se retrai ao mundo, e se abala adentro
Hoje não o houve, hoje não o vi
Se apronta um novo começo. Nem sei
que pensar devo. E que importa o amanhã?
Hoje sou eu, hoje sou feliz
Me deixem estacar quieto, que já não
é longa minha nova quadra. E se vê a neve
de meu sorriso raro. Hoje sou todo, hoje sou amado
João Luciano
25-10-2016
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
O Amor
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Melodia
Ao ouvir a tocar, o piano
em passadas de pézinho manso
Deixei o mundo em sua mão
E quando as notas pretas
Soaram transitando, de dedo em dedo
Também eu era escuridão
Tocaram sostenidos, sombria a minha alma
Me descera pelo corpo atiçado
Um embrião de sujo negro, inofensivo
Mas que corroera por dentro, adocicado
Mas logo, as brancas, ao virem
Me salvar suavemente, me deixei ir
Em suas palmas da salvação
E andei, interpolado, entre os dois
Sons que se opondo, não opostos
Me quebraram o coração
Se termina bem, numa nota maior
Se verte uma lágrima, verdadeira
Comoção de quem faz, soar o mundo
Tal como o pranto da vez primeira
João Luciano
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Há por aí um bando
Dizem uns; não se sabe ser
Mas que vão no roteiro, atados
Desprendidos e apegados
Em um caminho de nascer
É olhar profundo; dizem outros
Ora há dias muito amados
Que tocam os lírios estimados,
Mas há muito choro noutros
E é sempre primeira vez,
Quando olham um pé descalço, ou
Num cair de teto falso, são
Tudo espantos sem porquês
domingo, 2 de outubro de 2016
Na quarta-feira não estou
domingo, 25 de setembro de 2016
O Medo e o Verso
E se a prosa te mordeu hoje,
Com uma bocada de bico feito
Ai, se sei! sangrou e verteu escondido
... O sangue de um eu desfeito
Mas se o verso persiste, morando
Numa alma que o vai vendo
Que mal vem ao mundo, se sem jeito
Escrevinhar no meu caderno?
Então venho a ele, e dito-he sem maneira,
nem amanho de maior segredo
Uma palavra descoberta, nua e deserta
... Quão grande é meu medo!
João Luciano
25-09-2016
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Chuva
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Numa Mão
Numa mão, de quem quer
O sopro de um som que ecoa
Se veem rastros de lassidão
Aqui e acolá...
Numa mão nua
Numa alvorada bagunceira
É a pejar-se, que sorrateiramente
Se desvela ao sol recente
Minha mão mol, desguarnecida
E o quebrado pulso de firmeza
Ao romper da veste envelhecida
15-09-2016
sábado, 10 de setembro de 2016
Intimidade
Fiz meu aninho duradouro
E do palmo de minha medida
Um gear em completude
Que aqueceu depois, da algidez
Um lançar de queimor ampliado
Para no corpo descer forte, em abalo
De sentimento almejado
Mais o pulsar, que era o meu
Coração cego e embevecido
E o olhar que se atreveu
A fechar-se, contemplativo
João Luciano
10-09-2016
domingo, 4 de setembro de 2016
O Homem Novo
Num sonhar que se continua
E assim se foi vendo, vulto
Por uma nesga de fechadura
Agora ao desvelar-se, enigmático
Se desencontra revolto, entorpecido
Como um vão que desce escada
Ao lugar oprimido
Aventureira contenda
Estranho bando da desgraça
Armamos dois olhos, com venda
Por mais que se morra na praça
João Luciano
04-09-2016
sábado, 3 de setembro de 2016
Paremos o tempo
numa alusão de murmúrio tórrido
Sussuremos!
já ao tempo parco,
insuficiente,
Todo o pesar do antigamente
Prás lamúrias ocupantes,
do instante diminuto
Paremos o tempo,
Doravante!
Que há do passado que era meu?
Paremos o tempo!
Enquanto há tempo...
Que se dobra a dor,
De casca dura
Á corrente de rio passante
Escapa-se o mar,
Amargura...
Nem se vê o viajante
João Luciano
03-09-2016
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
1 de Setembro
Se meu amar toca o mundo
De olhos tons de avelã
Já é o vagaroso cair das folhas
Num sopro nu da manhã
Vejo mil mães que se despem agora
Dos agasalhos mais redobrados
Mal a época lhes traz o vento
Logo desnudam braços cruzados
É o chão que se cobre em parte
Num tapar de calçada acabada
E os filhos que se largam absortos
Dos corpos da mãe abastada
Desprende-se miseravelmente
O fio de nuca da gente humana
Para depois, se levantar novo
Num chegar de outra semana
João Luciano
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Senhora Solidão
Somos mais
Sozinhos
Não existem dois nem três
Sozinhos
somos um
Um só sem porquês
Somos juntos
Acompanhados
Somos uns quantos
Mas sozinhos somos tantos
se acompanha por algum de nós
Ela mesmo partilha
Pois a própria solidão
Precisa de companhia
28-3-2016

domingo, 28 de agosto de 2016
Conselhos e lamentações
Ah! Esse olhar caído, que não viu que o justifique
Ah! O desânimo que é vaidade
Ah! Que mal que se nega o despique
Oh! Que é cedo para amores perdidos
Oh! Que é bela a infância de olhos nus
Oh! Quem dera o tempo voltasse
Oh! Á alegria dos dias primeiros
Ah! Na Primavera de há dois anos...
Ah! Que o calor que me trouxe hoje
Ah! Pudesse eu o que podia antes
Ah! Que os defeitos eram outros
Oh! Ponderada opinião a minha
Oh! Tão certa de alheios mundos
Oh! Que sei, que saiba, o que sei mais hoje
Oh! Que o diga de maiores certezas
João Luciano
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Meu nariz pingado
terça-feira, 23 de agosto de 2016
E se Deus fosse pintor?
Terá sido Deus um inspirado pintor? Um poeta que nasce antes do Tempo?
Não tenho porém em mim, menor ressentimento que o valha, nem me acordam na madrugada os berros das criaturas incompletas, esgueirando-se para fora da moldura, com insultos da boa língua protestante. Antes assim fosse!... Que merecedor de repreensão já sou eu grande, e o tempo me aperta em soluço incomodativo, o coração que tanto me inquieta o corpo.
Na melhor das hipóteses, retomando o percurso do carvão afiado, riscarei uns quantos fios que se desencontram pela tela abaixo, sem muita vontade porém, diga-se. Não fossem pois os gritantes que me rodeiam, que toda a obra era meia, todo o texto era verso perdido, e o pensamento...oh esse maldito!! Era fazer-lhe valer o nome.
Mas agora os quadros ; esses é ouvi-los calados, basta que me olhem a mim, maltratados pelo tempo, inexpressivos e inacabados. Que farei com os quadros inacabados senão os posso juntar aos bons? É amontoa-los? Será certo? É recuperar-lhes a vida, ou melhor dar-lhes a vida? Não, isso não. Ou há recomeço total ou tardam morrendo os interruptos.
E agora lhe gritamos nós, tal e qual como haviam feito as telas de meu quarto, se o pudessem. Gritamos pelo fio de cabelo que nos falta. Pela pedra que termina a corrente desvairada. Pelo número último que descodifica o infinito e o põe perante o fim mais cruel. Gritamos pelo ponto final. Que Deus ponha termo ao quadro e que assine por baixo. Sim, que se lembre de o marcar. Não vá o diabo tece-las.
domingo, 21 de agosto de 2016
Sonho
De todo o meu coração
Sim, coração
Se ao cérebro lhe cabe os acertos
A este bastam-se-lhe os sonhos
Os sonhos e os devaneios
Os equívocos grosseiros
Viver sem sonho é escapar-se o coração
É morrer em antecipação
Acordar na escuridão.
Porém, viver de sonho
É negar a compreensão
Que ao homem chegue então
A linha de separação
A devida distinção
A mais que opinião
Quantidade de precisão
Entre a cama e o chão
Entre os dedos e a mão
Entre a realidade e ilusão
Joao Luciano
06-07-2016
sábado, 20 de agosto de 2016
O pó que cegando, fez ver
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Culpa
Notariam em mim de igual forma
Este sombreado que me vem dentro,
Esse cansaço que me veem fora
Que se partiram algures dentro
São olhos entreabertos
Perdidos há já tempo
Desgraçada liberdade a minha
É grande a dor, o ter de escolher
Eterno ardor, o ter de ver
Lá do alto céu divino
Antes fosse assim, o género de Caim
O erróneo que vagueou pelo mundo
Mas sem ter podido dizer sim
Sem escolher, sofreu
O erro não foi seu
Ninguém mo deu
Se erro, escolhi errar
Se amo, escolhi amar
Mas escolher dói na alma
Não é coisa calma
Irei eu sendo adiado
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Sou escasso, sou esculto
coisas para amanhã
caio quando cedem
à palavra vã
peço demais aos que falham
falho demais aos que pedem
por isso sou meio termo
e não um lado só
escolho meu temperamento
sem dar nó
vergo conforme posso
dou conforme peço
e tropeço
como todos nós
tento não ficar a sós
nem do avesso
nem prometo
nem cumpro
sou vago
sou vulto
sou escasso
sou esculto
João Luciano
29-05-2016
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Quão pouco somos
Entre a chuva e o sol ardente
Vai e vem um vento que os afaga,
Tanto ao tempo como á gente
Um dia mais, e tudo se irá junto
Dos polos que se refutam,
Aos elementos que se concordam
Dos filhos que lutam,
Aos amores que transbordam
Tudo é como nada,
E o nada é tão pouco! Como o tudo
Guardo nas costas as mãos crispadas
E na boca o alfabeto mudo
Retornarão atrás as marés; uma última vez
No tom de fim de tarde rosa
E o calar de meu propósito, contudo
Que é o da mente tenebrosa, e olhar agudo
Dever-se-á ao sol que se pôe ao fundo
João Luciano
16-06-2016
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Desânimo
De maciez demasiada
Padece de violência necessária
Para ver obra acabada
Sempre algures a meio
São eles o desânimo
Mas quieto nao sou eu, afinal
Antes fosse bom ponteiro
De hora marcada e minutos certos
Que tudo lhes dá na ordem
Sou antes inconsistente, digamos
Profunda melancolia
Como o sono de todos os dias
Que tardando ou não
Sempre se faz sentir
Vou vivendo, vendo-o vir
Vendo-me ir, divagado
Estou quebrado
Sou bico de esquina
Aresta do cubo quadrado
Que por ser apenas quase face
Estou impedido de tocar nos lados
Imortal natural
no que toca ás ideias
morrem as peles
ficam as veias
conduzem o sangue
ao devido lugar
não param a meio
mas não há pressa em chegar
Sou imortal
com o maior dos amores
matemos ilusões
e os demais odores
acabam os medos
e os vários desejos
floresce a primavera
com os mil beijos
nascem as árvores
e os mares enormes
choram as nuvens
de céus uniformes
Sou imortal
uno em um todo
venho da terra
e é para lá que torno
E os planetas
e os cometas
os anos-luz
e a própria luz
tudo cabe dentro
não há cruz
nem há só um ventre
nem um só Jesus
Sou imortal
nada sobra
nada falta
não nasci
nem morrerei
abastada família
a de nossa mãe
João Luciano
28-05-2016
domingo, 14 de agosto de 2016
Folhas do devaneio
tudo quanto faço no meu bloco
Brancas folhas de gramagens diversas
viram parteiras de ideias dispersas
Nelas cai o mundo de olhos meus
o caos á minha ordem
As mãos de preto sujo
A alma de superordem
De rabiscos e gatafunhos
está já o quarto cheio
enchem e tapam o pavimento
as folhas do devaneio
João Luciano
Na manhã que quase nasce, vejo um mundo quase meu
sábado, 13 de agosto de 2016
Não me digam nada (certamente)
As verdades tocarão os lábios
Nem o mundo se tornará verdadeiro
Para que serve o canto dos pássaros
E a dança dos ventos
A inutilidade dos quatro versos
E a delicadeza do Outouno
Calemos a teoria, a contagem das marés
...Ouçamos a brisa,
...Sintamos os pés
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
A rocha
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
A banalidade suposta
No dia de amanhã, sem significante diferença dos dias de até hoje, o homem levantar-se-á da cama nas primeiras horas matutinas, colocará no corpo a indumentária adequada á ocasião que o espera, e sairá pela mesma porta que o tem visto passar para lá e para cá durante os já vários rotineiros anos. Se nos for permitida a descabida fantasia de dar ás portas aquilo que a nós nos tem faltado, diriam elas, inteligentemente, as ombreiras da madeira, em tom de impotência, natural das limitações físicas a que estão sujeitas, que se andar pudessem, sob duas pernas humanas, a este homem travariam e impediriam, todo o santo dia que por elas passasse, questionado-o sobre o capital motivo que o estaria fazendo esquecer delas, não lhes notar a presença nem o devido valor. Como que indignado pela interpelação fantasiastica, o homem não teria outro remédio senão responder perguntando - E porque haveria eu de dar conta de coisa banal, e que interesse nenhum tem? Ao que sabiamente, ato contínuo, responderia a madeira, para benefício da sua nova habilidade intelectual. Pois se banal somos nós perante ti, e portanto, segundo dizes, desinteressantes, diz-nos de que interesse se veste a tua rotina banal? Os repetidos rituais matinais? as vazias palavras que trocas com os colegas de trabalho? As fragmentadas funções da tua actividade, que essas, se de um todo são parte, basta-se-lhes a sua insignificante pequenez para que se calem? E tudo quanto tens feito até hoje, de que vale mais senão de um caminhar de trilha que de certo só tem o fim? Nada disto te soa banal? Algo disto tem interesse?
A vida tem destas coisas. Portas que se fecham, impeditivas. Outras que se abrem, convidativas. Objetos que parece que falam. Que exprimente qualquer um deitar por mais de um instante a vista ao teto, por exemplo, que logo verá o quão surto de banalidade de lá sairá. Por outro lado, quantas ideias, de lá não sairão também novas, prontas a ser usadas. Já não seria a primeira vez que o teto ou a parede ou a porta nos fariam como que em tom de flash-back de quem tudo vê para trás, ter uma ideia nova para a frente, dessas ideias que reescrevem os já antes mal previstos futuros.
Portanto que não menospreze o homem o banal, que é lá que muitas vezes está o contraditório. Que o diga o nosso homem que neste dia, de casa não saiu. Paralizaram-no os veios da madeira, a profundidade das gretas das ombreiras. Quem sabe, se dali sairá amanhã a nova sinfonia imortal, a mais recente Mona Lisa ou até mesmo, arrisquemos, a resposta ao porquê de aqui estarmos.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Essência ou parecer?
ao limiar da conceção humana
Não busco nada, são já vizinhos,
Como antigos azevinhos
que enfeitam, as paredes de minha religião
Renasceram em segredos
Para iluminar minha hora
Plantas de folhas lustrosas que me vestem
cintilantes bagas vermelhas suspensas
Cintilante, a casca de Minh ‘alma
Ó essência de humano ser!
Que fazes tu para te fazeres ver?
Senão vestir-te de um parecer
Não navegues demasiado a barca
Não divagues pelos mares do "ser" ou "estar"
Quem somos nós senão a farsa
Em tentativa de se decifrar?
03-08-2016






















