terça-feira, 16 de agosto de 2016

Quão pouco somos

No mundo que nos opõe, inevitavelmente
Entre a chuva e o sol ardente
Vai e vem um vento que os afaga,
Tanto ao tempo como á gente

Um dia mais, e tudo se irá junto
Dos polos que se refutam,
Aos elementos que se concordam
Dos filhos que lutam,
Aos amores que transbordam

Tudo é como nada,
E o nada é tão pouco! Como o tudo
Guardo nas costas as mãos crispadas
E na boca o alfabeto mudo

Retornarão atrás as marés; uma última vez
No tom de fim de tarde rosa
E o calar de meu propósito, contudo
Que é o da mente tenebrosa, e olhar agudo
Dever-se-á ao sol que se pôe ao fundo





João Luciano
16-06-2016






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