O vento tornou a soprar forte. Leva agora consigo as
inúteis tralhas que se lhe vão intrometendo no caminho. Esvoaçam os opacos
plásticos das garrafas, já gastas de transparência pela persistência das
areias, arrastam-se os bocados de coisas dispensáveis que para o chão foram
atiradas, bailam os cartões de caixas e pacotes já vazios de conteúdo,
sentem-se cheiros de sobras de comidas já por duas ou três bocas caninas
mastigadas, por todo o lado caiem folhas secas, umas ainda verdes outras de castanho cansado. Trouxeram-nos o Outono. Voa o tempo. Pairam no ar pedaços de esquecimento, fragmentos de
víveres passados, recordações que vão e voltam. Nem tudo é lixo, mas tudo levou
o vento.
Corre agora com mais força, desprendido de exitações, não se lhe adivinham delicadezas nem calmarias, tudo leva consigo.
Ao fundo avista-se a linha imaginária separadora. De um lado o infinito, doutro tudo quanto tem fim. Atraem-se os opostos. Corre o vento pela tarde fora.
Corre agora com mais força, desprendido de exitações, não se lhe adivinham delicadezas nem calmarias, tudo leva consigo.
Ao fundo avista-se a linha imaginária separadora. De um lado o infinito, doutro tudo quanto tem fim. Atraem-se os opostos. Corre o vento pela tarde fora.
João Luciano

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