quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Essência ou parecer?

Subitamente me veem os caminhos 
ao limiar da conceção humana
Não busco nada, são já vizinhos,
Como antigos azevinhos 
que enfeitam, as paredes de minha religião

Ungidos arvoredos, sagrados de outrora
Renasceram em segredos 
Para iluminar minha hora
Plantas de folhas lustrosas que me vestem 
cintilantes bagas vermelhas suspensas

Tremulante superfície, que nada mais é
Cintilante, a casca de Minh ‘alma
Ó essência de humano ser!
Que fazes tu para te fazeres ver?
Senão vestir-te de um parecer

Se és isto ou aquilo, sê-o então, pois
Não navegues demasiado a barca
Não divagues pelos mares do "ser" ou "estar"
Quem somos nós senão a farsa
Em tentativa de se decifrar?


João Luciano
03-08-2016


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