Ao ouvir a tocar, o piano
em passadas de pézinho manso
Deixei o mundo em sua mão
E quando as notas pretas
Soaram transitando, de dedo em dedo
Também eu era escuridão
Tocaram sostenidos, sombria a minha alma
Me descera pelo corpo atiçado
Um embrião de sujo negro, inofensivo
Mas que corroera por dentro, adocicado
Mas logo, as brancas, ao virem
Me salvar suavemente, me deixei ir
Em suas palmas da salvação
E andei, interpolado, entre os dois
Sons que se opondo, não opostos
Me quebraram o coração
Se termina bem, numa nota maior
Se verte uma lágrima, verdadeira
Comoção de quem faz, soar o mundo
Tal como o pranto da vez primeira
João Luciano
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