segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Movimento

Tique-Taque... Batem teclas na fundura
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando, escrevendo, sentindo...

Se me acabou o carvão. Que farei agora eu
Mais um cruento teclado? Se nem me sente ele a mim, 
nem meu pranto desanimado

Quero a folha mais antiga, antes que 
venha a mim rasgada. Minha grafite
companheira, quantas vezes foi quebrada?

Do que este bem todo manhoso, de letreiro 
organizado. Suas formas em quadrado
E um A-M-O-R separado

Não é assim a folha branca. Que essa
me toca direto o pêlo. Até me sente o arrepio
E me acolhe um cabelo

Nem é assim o pergaminho. Que esse
se abre desenrolando. E em toque de carinho, 
um riscar de tom brando

Para que veio este escusado, automatismo 
muito medido? Uma seta para cada lado
e um alfabeto perdido 

Não é assim meu pulso mole,  se curvando
ao verso quebrado. Desenhando uma por uma
da palavra ao fraseado

Nem é assim a lapizeira, que atua 
se esguiando. Quebra o bico e vai avante
e continua rabiscando

Tique-taque... Batem teclas na fundura
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando,  escrevendo, sentindo...




João Luciano
08-11-2016



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