Tique-Taque... Batem teclas na fundura
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando, escrevendo, sentindo...
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando, escrevendo, sentindo...
Se me acabou o carvão. Que farei agora eu
Mais um cruento teclado? Se nem me sente ele a mim,
Mais um cruento teclado? Se nem me sente ele a mim,
nem meu pranto desanimado
Quero a folha mais antiga, antes que
venha a mim rasgada. Minha grafite
companheira, quantas vezes foi quebrada?
Do que este bem todo manhoso, de letreiro
organizado. Suas formas em quadrado
E um A-M-O-R separado
Não é assim a folha branca. Que essa
me toca direto o pêlo. Até me sente o arrepio
E me acolhe um cabelo
me toca direto o pêlo. Até me sente o arrepio
E me acolhe um cabelo
Nem é assim o pergaminho. Que esse
se abre desenrolando. E em toque de carinho,
se abre desenrolando. E em toque de carinho,
um riscar de tom brando
Para que veio este escusado, automatismo
muito medido? Uma seta para cada lado
e um alfabeto perdido
Não é assim meu pulso mole, se curvando
ao verso quebrado. Desenhando uma por uma
da palavra ao fraseado
Nem é assim a lapizeira, que atua
se esguiando. Quebra o bico e vai avante
e continua rabiscando
Tique-taque... Batem teclas na fundura
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando, escrevendo, sentindo...
Apagando, escrevendo, sentindo...
João Luciano
08-11-2016
Sem comentários:
Enviar um comentário