E se a prosa te mordeu hoje,
Com uma bocada de bico feito
Ai, se sei! sangrou e verteu escondido
... O sangue de um eu desfeito
Mas se o verso persiste, morando
Numa alma que o vai vendo
Que mal vem ao mundo, se sem jeito
Escrevinhar no meu caderno?
Então venho a ele, e dito-he sem maneira,
nem amanho de maior segredo
Uma palavra descoberta, nua e deserta
... Quão grande é meu medo!
João Luciano
25-09-2016
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