domingo, 25 de setembro de 2016

O Medo e o Verso

E se a prosa te mordeu hoje,
Com uma bocada de bico feito
Ai, se sei! sangrou e verteu escondido
... O sangue de um eu desfeito

Mas se o verso persiste, morando
Numa alma que o vai vendo
Que mal vem ao mundo, se sem jeito
Escrevinhar no meu caderno?

Então venho a ele, e dito-he sem maneira,
nem amanho de maior segredo
Uma palavra descoberta, nua e deserta
... Quão grande é meu medo!

João Luciano
25-09-2016

Sem comentários:

Enviar um comentário