domingo, 31 de dezembro de 2017
"É uma página em branco"
31 de Dezembro de 2017
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Sobre o natal
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Após uma saída com amigos
terça-feira, 8 de agosto de 2017
O erro e a percepção tardia.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
O Pacto
quarta-feira, 28 de junho de 2017
"Juntos por Todos" - A propósito
quinta-feira, 8 de junho de 2017
Tripulação, tribulação
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Viver
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Epifania
terça-feira, 25 de abril de 2017
Posse
terça-feira, 18 de abril de 2017
Ao rio, uma prece
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Amar é
sábado, 8 de abril de 2017
Palavras vãs
Pois que todas elas são meio canto
E nossos cantares, são preces que almejam tanto
que nos versos faltantes, lhes cortam as quadras
E inutilmente, se diz quanto se pode
Pois só de palavra é o homem curto, desventurado...
Já que só depois da morte, é sabido amado
Aquele que de uma vida, fez a Ode
Ó palavras mudas! Vós que sois fachada
Vos fizemos de olhos sujos, com as mãos encharcadas
E os alfabetos vazios
Vós, palavras tantas! Fartas de um proveito
Quem foi que assim vos fez? Folhas de árvores truncadas
Cujos troncos são dois rios...
João Luciano
08-04-2017
terça-feira, 14 de março de 2017
O Riso
Na portada de uma festa, com luz de velas
Passeio nas calçadas do padrão nosso
Olho o refulgente lustre pelas janelas
E o sorriso que de lá vem, também eu o esboço
Então parei a trilha, do meio da rua ali vendo
os gritos e as risadas estridentes, se escusados,
quanto então serão excedentes? Assim sendo,
mais verdadeiros serão os fados
Porém, também as lamúrias se ultrapassam.
E na demasia se derramam de quando em vez
Mas o riso é mais, faz pouco da morte de um ser
Quanto então custa o fazer, pela face cair a gota? Mais que um esticar de beiça, que tanto se o faz sem deixa, em demonstração de um parecer
João Luciano 2017
domingo, 12 de março de 2017
Se soubesse ser amargo
Quis ao mundo escabroso, comprazer de verdade
E na minha ingenuidade, talvez produto de idade, fui doce
Fiz escoar meu jarro para o largo extenso, pensando eu
Assim ser doce. Olvidei meu ser de tal maneira
que se evadiu a derradeira, zarpou de algibeira, a essência que fosse
Ah, se soubesse ser amargo no lugar de querer ser doce
Se soubesse, então penetrava pela porta capital de todos vós,
Assim a sós, sem medir prós, nem que me conviesse
Ah, se soubesse ser amargo, diria falando
pela boca do trombone. O que em mim seria, minh'alma fria,
de ousada alvenaria. Não escreveria
Diria alto e ressonante, nem amado nem amante
Era o grito da verdade, estrito pela espinha do ouvinte,
oxalá por conseguinte, ousasse ser metade
Da metade do todo que não sou, e tento ser, ao querer ser doce.
Até mesma essa, onde se acaba? É contagem de maré,
Onde mar sem pé, me afogando, se desaba
E então me levo, assim pouco de peça, diariamente
Um pingo de lima em travo de amargura,
Pela alma que não pura, pulvilhado ao de cima
Se soubesse ser amargo, no lugar de querer ser doce
Estaria resolvido o mal posto. De acrimonia ou azedume,
sendo amargo, teria ao menos tido gosto
quarta-feira, 8 de março de 2017
Petição
Sobre a talha de mogno me sento
Ao amparo de um ensombro, escrupulosamente anseio
Pela alma suplicando ao vento: Que me chegue alimento
Venha o pão de nossa cerne poetisa, o centeio
E então, tal qual o esmoleiro e sua petição
Tambem assim me eis, de aberta palma pedindo
Ao céu que se abre, fortuitamente, pela escada de vão
Uma brisa descendo traga em mão, o pão de Deus vindo
Palavras outras dizendo, inspirações epifanias
Pão nossos de alguns dias
terça-feira, 7 de março de 2017
A Lisboa chegando
Ali à beira-rio, vão cheias as lezírias
Nas cercanias da cidade, imundos os charcos
Pelo céu que tanto traz, e só hoje alaga tanto,
o cais onde retumbam os barcos
É a nau que nos leva ao Terreiro do Paço
Assim é linda a Lisboa, ungida de pranto
O alto que se entorpece, as nuvens tom baço
Pelo chão esbarrando, o sol pouco. Que espanto!
Há ainda a periferia, lá no centro do engodo
Turvo manto daqui se vendo, finge ser sem que o seja
Já daqui o sol nascendo, é a Primavera que se arranja
domingo, 5 de março de 2017
Me encantará teu seio
se me afagam as lembranças
de um passado que é presente
nas memórias de minhas ânsias
Em pele de quente âmago se sente
o que sente minh'alma abstrusa
No pardo mato soturno, ou no comum
Sol diurno, bem sei que assim será
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Cansaço (numa brisa de nossa boca)
Sopro de nós, é a lufada de vida
que passa, galgando as ombreiras segue
Turvado som se ouve, onomatopeia que faz bafo
Numa brisa de nossa boca
Ufff... Vai-se um dia, foi-se no horizonte
do mato o sol quente, ou no areal o mar
que o engole, silenciosamente
numa brisa de nossa boca
Se fazem os sóis inteiros, em lamento
de canseira, desesperando, o sopro
é o sopro de nós, a lufada da vida
O dia, é o que recolhe, uma vez mais
Sob o manto de um murmúrio se faz a sombra
Qual o dia de amanhã, qual a noite?
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
O Hábito e as Três Fases
domingo, 15 de janeiro de 2017
Na calma de teu regaço
Assentei nuas, as palmas das mãos tremidas
Que inverno fora este, que noite havia sido
Se tuas malhas quentes, tivessem sido esquecidas
E as tuas mãos, vindo depois lentas
Nas minhas vieram tocando, mornas de seda
Tua pele de algodão, meu semblante inibido
Vestidos caminhámos juntos, em uma só vereda
Caíram gotas das folhagens, era Junho de frio muito
As precianas todas baixas, o silêncio do mundo
Toquei-te os fios do cabelo, se sei de teu perfume
O cheiro das acácias, de teu jardim oriundo
Depois te beijei muito, no caminho do chão de pedra
Se te lembras? Tão bem sabes, certamente
Que eu tomei nota, com desenhos de folha inteira
E aos restos da madeira, guardarei em minha mente
E lembro mais ainda, quanto queres que te diga?
Te direi quanto baste, para saberes que te sei
Não de cor, mas de espanto todo o dia
De não saber que viria, e saber quanto te amei
João Luciano
sábado, 7 de janeiro de 2017
Fotografia
a cozinha da casa do campo, bate
a luz no paredão. Dois rostos de vida toda
O aroma da romãzeira, o chá príncipe.
Dois restos da lembrança
No tom de cinza preto, como a memória se faz ter.
Duas faces da beleza, sob o um sol de leveza, e a alegria abundante.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
3 de Janeiro
o ano rasga o céu, uma vez agora, outra depois mais tarde, aquando se comerão as passas. Tal foi hoje, tal foi ainda há dias, quando a noite se queria em ansiedade pela última vez. E é certo como a morte, cadente que nem ponteiro, fazendo o habitual balanço anual do que foi. Depois, daquilo que virá e, ultimamente, caso se cumpram tradições, é a voz das gentes que se juntará ao canto, todo tão certo de si mesmo, como um cálculo previsível. E eu, músico que sou, tão fora da banda estarei ouvindo. Ouvindo de paixão, invejando sem maldade o compasso que sempre me escapou.




