terça-feira, 8 de agosto de 2017

O erro e a percepção tardia.

O pior das coisas incompatíveis é a sua perceção tardia. Na vida, o erro, é a máquina responsável e o machado que dobra a árvore e a extingue. Quando nos compenetramos do erro, ele não é mais o erro, mas o primeiro passo para a sua correção; a última perna da raiz adonde a árvore se abraça resistindo. Outras alturas há em que o amontoamento dos erros embrulha e atrapalha a percepção. O erro,  é uma coisa que deve ser vista e apanhada no momento antecedente á corrida do erro para os outros erros, mas á falta do mecanismo da maturidade em alturas joviais, o melhor é errar a saber e a dizerem-nos. Tenho visto gente, e lido gente, a quem o erro, pela multiplicidade em que se desdobrou e repetiu, perdeu o sentido erróneo. O erro não é incompatível com a vida; é, aliás,  tão necessário quanto ela e quanto a notação dela. O que é mau é o que é tardio. Não há um grande medo de morrer e não saber de um erro meu, ou não saber da vida e das árvores truncadas; das oliveiras abatidas aos milhares pelo excesso de azeite na Europa; das vacas no cutelo pelo excesso de leite ou de carne, ou excesso de outra coisa qualquer que nem era excedente ou perto disso. Há só o medo de vir a sabê-lo tarde, quando um emaranhado ou novelo de linhas confundir o último erro com os outros todos, e vier à vida a tirar-lhe o sentido das coisas e do mundo.  


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