domingo, 15 de janeiro de 2017

Na calma de teu regaço

Na calma de teu regaço, ó minha musa
Assentei nuas, as palmas das mãos tremidas
Que inverno fora este, que noite havia sido
Se tuas malhas quentes, tivessem sido esquecidas

E as tuas mãos, vindo depois lentas
Nas minhas vieram tocando, mornas de seda
Tua pele de algodão, meu semblante inibido
Vestidos caminhámos juntos, em uma só vereda

Caíram gotas das folhagens, era Junho de frio muito
As precianas todas baixas, o silêncio do mundo
Toquei-te os fios do cabelo, se sei de teu perfume
O cheiro das acácias, de teu jardim oriundo

Depois te beijei muito, no caminho do chão de pedra
Se te lembras? Tão bem sabes, certamente
Que eu tomei nota, com desenhos de folha inteira
E aos restos da madeira, guardarei em minha mente

E lembro mais ainda, quanto queres que te diga?
Te direi quanto baste, para saberes que te sei
Não de cor, mas de espanto todo o dia
De não saber que viria, e saber quanto te amei


João Luciano




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