É o terceiro sol, dia de ver as sobras. Uma nesga de luz escassa rompeu a cortina descorada. Na TV fala o repórter ilustre, seu ar sisudo transborda pelo vidro e me invade o aposento, sua voz traz a chuva, é uma espécie de trovão ritmado que todo
o ano rasga o céu, uma vez agora, outra depois mais tarde, aquando se comerão as passas. Tal foi hoje, tal foi ainda há dias, quando a noite se queria em ansiedade pela última vez. E é certo como a morte, cadente que nem ponteiro, fazendo o habitual balanço anual do que foi. Depois, daquilo que virá e, ultimamente, caso se cumpram tradições, é a voz das gentes que se juntará ao canto, todo tão certo de si mesmo, como um cálculo previsível. E eu, músico que sou, tão fora da banda estarei ouvindo. Ouvindo de paixão, invejando sem maldade o compasso que sempre me escapou.
o ano rasga o céu, uma vez agora, outra depois mais tarde, aquando se comerão as passas. Tal foi hoje, tal foi ainda há dias, quando a noite se queria em ansiedade pela última vez. E é certo como a morte, cadente que nem ponteiro, fazendo o habitual balanço anual do que foi. Depois, daquilo que virá e, ultimamente, caso se cumpram tradições, é a voz das gentes que se juntará ao canto, todo tão certo de si mesmo, como um cálculo previsível. E eu, músico que sou, tão fora da banda estarei ouvindo. Ouvindo de paixão, invejando sem maldade o compasso que sempre me escapou.
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