terça-feira, 18 de abril de 2017

Ao rio, uma prece

Ao rio, deitemos as mãos folgadas, nos cepos
Dos braços que contemos. É o mar aberto 
Que se desenrola, pois que é lívida de mundo incerto
E esquálida a corrente, p'los seixos e p'los trepos 

Quem nos abraça e nos recebe? Esse mar imenso...
Cujas primícias são dois beijos, de água e sal 
E as margens dos desejos, como o mato jovial 
Donde as mãos lhe estendemos, a esse mar extenso...

E pedimos perdão... Ó mundo este o nosso!
Que tanto nos faz querer. Seria melhor se mar fosse
Esta vida ansiosa...

Invade-nos por inteiro! Com esse teu rio remansado
E afaga-nos as pressas, como um manto que tapa
Esta dor dolorosa...

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