E amar, é ter no mundo, a razão condoída
Das aves mais sumidas que voejam
E que no ar se espairecem, vagarosamente
É ver no céu ardente, duas asas que se beijam
É olhar-se de olhos nus e é também esquecer-se...
É revoar por plainos verdes. Ou p'las eiras dos arvoredos
Estacar os pés dormentes, pois amar é também perder-se
No empoeirado chão dos silvedos.
É ser só o tempo todo, como Oliveira em terra firme
Legar o pobre e o mais louco, pois amar é não bastar!
É exceder-se por tão pouco
E viver sempre aquém, numa angústia exaltada
É desejar tanto e tão pouco; pois que é também ver-se louco
E ter a miragem de uma luz, que jamais apagada
João Luciano

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