quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O “Mata-chineses”

Não sei para onde vamos. Não posso saber para onde vamos. À parte disso, tenho em mim todas as certezas do mundo. Dize-mo-lo assim, depois de que Pessoa o tivesse dito, com ligeiras alterações de palavras que por si só já aprazem como delícias suculentas na boca dos curiosos. É para o abismo. 
A Índia testou com sucesso o míssil conhecido como o “mata-chineses”. Bonito apelido este. As inúmeras bestas que países como Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e França dispõem, fazem crer que também Portugal se deverá colocar em preparos de guerra, sob pena de se descobrir impotente perante a vasta gama de blindados territórios. 
Com o passar do tempo, aquelas que eu julgara serem pessimistas frases construídas pelas mentes mais brilhantes têm tomado de rompante os lugares cativos das mais realistas profecias. Recordemos por exemplo a que atribui virtudes de infinidade ao defeito da humana estupidez. Também Albert era humano, mas duvida-se, mais agora ainda, que naquela cabeça perdurasse sequer por escasso tempo o menor resquício de estupidez. 

Com um alcance superior a 5.500 quilómetros, o “mata-chineses” têm capacidade para dizimar depressa o mais atento dos pele-amarela, proezas não subestimáveis, fazem jus à ideia que diz que tão grande é a evolução do homem quanto a distância que separa o alvo do canhão, a presa do predador, o gato do rato. Com tudo isto, por daqui a duzentos anos, oxalá se deixe de espetar à queima-roupa a lâmina afiada, caso que claramente provaria que num mundo tão evoluído ainda pisava gente do mais retrógrado passado. Fosse hoje concretamente dita a frase e creio que Einstein teria completado a fórmula matemática com a seguinte terminação: a estupidez humana mede exatamente, 5.500 quilómetros. Não tem de quê. 

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