sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Eurovisão 2018

Não creio que haja registo na história da eurovisão de um só e solitário país bicampeão. Seja como for, vista que está a lista dos declarados candidatos ao assalto, creio que a defesa se fará de uma forma bastante sólida. Tirante o sunset do Peter Serrado, que me faz pressentir receosamente o retorno aos denunciados fireworks do Salvador, antevisão cuja responsabilidade, certeiro tenha sido o tiro ou fracassado prognóstico, desde já a toma quem escreve, quero crer que nomes como Fernando Tordo com Para te dar abrigo, Jorge Palma com ou Sem medo, ou até mesmo aquela sempre doce voz de quem os textos são nunca recurso aos estrangeiros dicionários, falamos de Capicua e Sobre nós, e sobre nós, estamos bem entregues. Diga-se, como já terá ficado provado em vários tempos, que pela capa não se julga o livro, mas confessemos, não seria agora eu o desavergonhado pioneiro nestas artes de adivinhação. Por alguma razão se põem os títulos na capa. A ver vamos. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O “Mata-chineses”

Não sei para onde vamos. Não posso saber para onde vamos. À parte disso, tenho em mim todas as certezas do mundo. Dize-mo-lo assim, depois de que Pessoa o tivesse dito, com ligeiras alterações de palavras que por si só já aprazem como delícias suculentas na boca dos curiosos. É para o abismo. 
A Índia testou com sucesso o míssil conhecido como o “mata-chineses”. Bonito apelido este. As inúmeras bestas que países como Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e França dispõem, fazem crer que também Portugal se deverá colocar em preparos de guerra, sob pena de se descobrir impotente perante a vasta gama de blindados territórios. 
Com o passar do tempo, aquelas que eu julgara serem pessimistas frases construídas pelas mentes mais brilhantes têm tomado de rompante os lugares cativos das mais realistas profecias. Recordemos por exemplo a que atribui virtudes de infinidade ao defeito da humana estupidez. Também Albert era humano, mas duvida-se, mais agora ainda, que naquela cabeça perdurasse sequer por escasso tempo o menor resquício de estupidez. 

Com um alcance superior a 5.500 quilómetros, o “mata-chineses” têm capacidade para dizimar depressa o mais atento dos pele-amarela, proezas não subestimáveis, fazem jus à ideia que diz que tão grande é a evolução do homem quanto a distância que separa o alvo do canhão, a presa do predador, o gato do rato. Com tudo isto, por daqui a duzentos anos, oxalá se deixe de espetar à queima-roupa a lâmina afiada, caso que claramente provaria que num mundo tão evoluído ainda pisava gente do mais retrógrado passado. Fosse hoje concretamente dita a frase e creio que Einstein teria completado a fórmula matemática com a seguinte terminação: a estupidez humana mede exatamente, 5.500 quilómetros. Não tem de quê. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Vender a alma ao diabo - M.Ferreira Leite

Recorre m.f. leite à expressão que diz mercar ao cornudo o tão afamado lençol que não é osso rijo nem carne mole, aquele vulto a que, não se sabendo se existe realmente, se atribui adjetivações de penadas. Esqueceu-se a senhora que nos registos apócrifos das negociações infernais não consta caso algum em que o diabo vantagem tenha perdido, resta saber se algures na mancha escarlate do rabo do príncipe das trevas se esconde toldada a laranja nuance. Foi enfim o caso por querer limpar do campo de visão a tão impertinente esquerda, como dela dizem. Afinal com facilidade se invade a assembleia pelos nomes mais fundos dos infernos, oxalá não lhe venha a resposta sob a forma de um quadrado de incenso ou parcela de mirra, caso que seriamente se duvida que percebesse. 

 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ferreira Gullar

De mal, a pior vai o mundo. Recordar-se-á até o mais desfalcado da virtude elefantina daquele comboio de almas que foi o ano de 2017. Ferreira Gullar disse algo que em tempos concordei, a arte existe porque a vida não basta. Não sei se o terá dito por estas palavras, mas a ideia era esta. Ora passados dois anos desde esse fastidioso período, não está mal que, em jeito a que não chamarei de provatório mas da mais inocente curiosidade, que se pergunte se não será antes a vida que existe porque a arte não basta. Que o diga o criador, com as suas duas mãos portentosas, já que após ter soltado sobre a tela mais negra as vastas gotas espaçadas dos planetas, não se contentou enquanto no meio delas não pulsasse o sangue da primeira humana artéria. Daí veio o resto. 
Principiou-se por falar sobre artistas. Mas lembremos aqueles não poucos desgraçados a quem a vida é mais do que um indispensável acessório, a única e primária necessidade. 

Ainda ontem li o poema sujo, ouvir falar Gullar apraz de verdade até o mais empedernido dos cérebros, mas reconheçamos nós que se tivesse proferido o poeta frases como esta perante a magríssima figura de um esfomeado, talvez lhe tivesse faltado a voz antes de dizer a palavra última. Teríamos então hoje conhecimento de um diferente verso, inefável e silencioso, porém portador de todas as palavras do mundo. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Imaginemos


Já todos havemos de ter por certo, mais uns menos outros, que de determinados assuntos não deve haver mistura. Por isso se costuma pendurar na porta o afamado papelete das reservas, abstratamente falando, claro está, que diz, cá dentro, por ser local de trabalho, não se discutem questões religiosas nem políticas, é permitido que, pessoalmente, cada um as tenha, mas que as guarde para si no momento preciso em que pisar os barbantes felpudos deste tapete. A nós parecer-nos-á, creio que a todos, uma prudente ideia. Queixe-se quem quiser, que estes são preceitos centenários, para não dizer várias vezes centenários, milenários quem sabe, de que até então não resultou problema de maior. Países há em que as coisas são bem piores. Imaginemos se continuasse a fundo o papelete.
(…) Parecendo-nos, desta forma, uns aos outros, iguais e semelhantes, para que de nós não seja feita maior distinção senão aquela que à entrada nos estamparam na lapela, concreta e objetiva, e de que, pelas nela implícitas capacidades, deverá ser retirado o máximo partido para o chefe, sem desvantagem de maior para quem a leva, porquanto lhe será paga, em justa quantidade, a quantia merecedora de dinheiros, podendo o mesmo, de forma educada, objetar, caso este que não se aconselha muito, ou mesmo nada, sabidas que são as dificuldades fiscais de quem emprega. Tirante o referido, o chefe não admitirá discussões. Permitiremos que falem, que gesticulem, que berrem até, desde que a ocasião o justifique, mas nunca, por exemplo, que nos venham falar de Guevara ou Mandela, de Maria ou Josafá. Não consentiremos que se fale tão pouco em família, para isso vos será posto à disposição um anexo por detrás daquela porta ao qual terão acesso e do qual deverão usufruir pelo tempo em que a pausa vos durar. Lá poremos, brevemente, uma janela, para que através dela possam ver a luz do dia. Por agora acendam a luz. Há fardas para todos no armário, mas os tamanhos são medianos, pelo que se pede e espera que por bondade se façam caber dentro. Ser-vos-á dada a quantia suficiente para puderem comer dignamente, mas há ali um micro-ondas para aquecerem o que trazem de casa. E se o caso for de filhos, se a ideia for de vir a tê-los, aconselhemos que ponderem em esperar, o chefe manda dizer que agora o mais importante é o trabalho, o empenho, o abraço ao projeto, pois que dele virá a vossa estabilidade, maneira esta, única, de proporcionar à espécie a digna continuidade. (…)
Já viram se fosse assim? Mais vale estarmos calados e aproveitarmos o que temos.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Qualquer coisa reino de deus



           Se de paz é apropriado falar (o autor acha que não), oxalá seja desta vez que, e após denunciados os escandalosos acontecimentos, para que pior não seja dito do auto proclamado qualquer coisa reino de deus, encabeçado pela sua rara avis de quem as  doiradas penas já se vão soltando, esperemos que seja desta vez, dizíamos, que ao sono profundo se abandone de uma vez o portentoso reino dos céus. Pode dizer-se, o problema é dos homens, não dos céus, notação pertinente à qual com não menor grau de adequação se responderá, ora também de homem eram os caminhos de josafá, quarto rei de judá, de quem o reinado perdurou por vinte e cinco anos, com grande combate à idolatria por ter quebrado ao firme golpe as mais rígidas estatuetas, conquistando depois edom e executando reformas militares, políticas e religiosas, quando mais tarde, repreendido pelo profeta jéu, por acreditar este serem os caminhos daquele de aborrecimento ao Senhor, viu destruídos os navios que pelo ouro navegavam para Társis, despedaçando-se assim ao meio caminho, não logrando proezas de maior, faltará pois saber quem foi que os destruiu, se não está já mais do que evidente.

Sabe-se muito de Deus, provavelmente mais do que ele sabe de nós, talvez isso explique o porquê de na vida Dele nos metermos tanto e Ele nada na nossa.

           Enfim, falemos do homem. Do Macedo. Ouvi dizer que o mínimo que se pode exigir é um pedido de desculpas. Bem sei que às palavras leva-as o vento, resta saber para onde este está soprando, se não é por exemplo para a vastidão de uma eira despovoada ou para o manto infindável das águas do atlântico, casos estes em que de nada serviriam as proferidas justificações, falsas fossem ou verdadeiras, mais destino teriam as súplicas iludidas ao Deus perene, que ao menos essas são sinceras e de coração aberto.

Tanta gente por aí se vai ocupando do caso, até agora com os sucessos conhecidos,  depois, mais tarde, com os meritórios reconhecimentos. A mim, permita-se-me acrescentar, porquanto se o não fizer desta forma creio que rebento. Com a quantidade de coisas que se têm feito em nome do altíssimo senhor, temo que no final de contas, no fim dos dias, consumado o derradeiro somatório, mais culpas no cartório tenha deus que o diabo, esse realmente eterno perdedor, em nome de quem, que eu me lembre, não se fez sangrar nem a mais microscópica centopeia.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Santana Lopes e os violinos de Chopin


De entre a infinda lista de afazeres de que se ocupa um presidente, qualquer ministro que seja, não se supõe que tenha de constar a prova oral sobre o musical repertório. Tanto mais se o não for da cultura, ou comparável delegação, caso que rapidamente se apelidaria de desapropriado ou descabido, ainda que ao certo não se saiba bem porquê. Talvez pela suposta pretensão mais ou menos vaidosa de que gozaria o ousado perguntador ao querer saber por testes caprichosos os saberes mais supérfluos do superior hierárquico, ou, mais provável ainda, por posta a questão, assim ao ar largada como um pombo a quem alguém quisesse apanhar, tardasse no regresso a infeliz criatura sem o conhecido papelinho na pata, enfim, sem a desejada resposta.

No caso de Santana Lopes a coisa foi diferente. Não é tanto pelo costume que um acto é mais ou menos certo, mas, verificada uma simples concordância entre quem escreve e quem lê, estamos em condições de afirmar que, com se diz, e explicando depois a referência, aos mortos falta-se mal ao respeito, (esqueceram-se dos vivos). A eternidade de que goza F. Chopin, não lhe permite, contudo, continuar vestido por estas carnes e mucosas que a nós nos vão levando, queiramos nós acreditar que um espírito, se os há neste mundo, e por não estar sujeito às máculas do corpo e aos seus escrupulosos preceitos, perdurando vai sem desgaste mais profundo, sem quezílias com semelhantes, que para isso teve a vida, enfim sem veleidades. Acredita-se portanto que, a um morto, tanto se lhe dá se dele mal dizem ou proferem mortais virtudes. É-lhe indiferente, porque entre o vulto e a carne distam mais metros do que aqueles que separam um polo de outro. Quando morto, a vida é diferente.

É com este elegante raciocínio sobre foices e gadanhas que se tenta principiar uma defesa. Ora note-se que quando o ex-primeiro ministro, Pedro Santana Lopes, num rasgo digno de um falso erudito, soltou a pérola sobre os violinos de Chopin, talvez a sua intenção fosse só demonstrar aos mais desatentos ouvintes que para além da arte musical, também a ele lhe apraz a construção poética. Repare-se que no lugar de pianos, e precedendo a palavra Chopin, com aquela preposição pelo meio, a palavra violinos toma uma posição bem mais melódica e poética, com aquele l maravilha que tudo faz funcionar, por exemplo, sob a rúbida chama, crescem arcos, e os violinos de Chopin são brisas, continue quem quiser. Salva-se portanto a ética pela estética, e assim se perdoa alguém. É só querer-se.

“ Sei falar e já falei, no tempo anterior de governo, com Gerhard Schroeder, na sua língua natal ou com Vladimir Putin na mesma língua, porque viveu em Dresden muitos anos”.

E exemplificou os seus dotes atuais, com uma nova gaffe musical. “Talvez o Wohltemperierte Preludium, de Bach” 

               Novo caso. Quanto a este não se fará mais do que engolir em seco. As explicações encontrará quem as procurar. Até lá algum defensor de Santana Lopes se há de chegar à frente a fazer a defesa, porquanto o fundamento poético não justifica já esta intempérie, se tamanho conceito pode ser aqui utilizado. E como a sabedoria popular, essa que como temos vindo a observar, poucas vezes falha, descabido não será dizer que sem três não há duas. Esperemos então, sentados de poltrona, preferencialmente em primeira fila, pela próxima demonstração da criatividade institucional, liberdade expressiva ou capacidade poética, do nomeado secretário de Estado da Cultura. E para que não se diga que não terá ajudas, deixo já aqui umas quantas sugestões. Lembro-me de uma que li algures, ficará esta, muito boa por sinal, mas que não logrou propagação de maior calibre, talvez pela desdentada boca que a proferiu, de quem não se exige mais que uma cruz esporádica ou rabisco em cartão na Praça, a quem no lugar de Chopin se ousou prendar com estalidos e batuques, estridentes sons que batem e fogem, não se pode realmente exigir muito mais desta gente. Mas o seu caso é pior senhor ex-primeiro ministro. Veja lá o que acha: Midnight Sonata, acho que é do Bethoven.

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Analogia pertinente

Obra tão pia que é o homem. Algum deslize terá tido o aprumado pulso do escultor mor, quando, amputadas cerce, nos privou das asas mais penadas. Mofina sorte a nossa, que só por esvoaçar querermos nos é deitada logo a mão mais densa que conserva o chão. Vai-se a pontos de se escarrapachar na testa de quem sonha  a desprezível nota de bolso, em nada proveitosa: artista. Do mesmo modo se estampou no pau da cruz determinada tabuleta, sabendo de antemão que nem um vasto reino com o mais prendado e educado dos povos serviria de nada a quem, por momentos antecessores ou seguintes, se haveria de pregar as mãos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Luis Preto

Uma desprezível tendência que tenho, que por várias vezes já se me traduziu em sérios problemas e trabalhos apertados, acontecimentos estes não agora trazidos ao relato, levaram-me a identificar relações entre o Preto do Luís e o preto que é o negro que se lhe mostra na fotografia. Foi instantâneo. 
De todo o modo, é para felicita-lo que escrevo e não para dizer-me um pouco. Maciço Antigo venceu o prémio novo talento fnac 2017.  Não sei quem eram os sobejantes interessados, mas estou certo que as boas mãos do Luís farão jus a maciez de uma eventual estatueta.

Oprah Winfrey nos globos de ouro

disse-o o valter h.mãe, inteligentemente, em mais do que uma entrevista que tem dado, que o mais aproximado fenómeno do milagre que a figura humana experimenta é aquele que traz à luz o rebento que germina. protesta veemente a ideia primária, que por esta adjetivação já denúncia também a opinião de quem o cita, sobre ser o homem o sexo forte. 
quero crer que há um problema a resolver entre os homens, entre homens, repito, que as mulheres já o sabem faz tempo e antecipam-nos as reações; enquanto que para o primata mais desprovido, e isto não é dizer poucos, é esta um ainda perigoso enigma que se desvenda por debaixo de uma saia. 
a oprah w. achou por bem empregar a palavra horizonte, pertinente solução muito mais palpável e real do que aquela que tudo põe além e que nada traz de produtivo, mais uma notável revolução do dito sexo fraco. Ora proponha que eu assino, sra. oprah, desde já, a remoção da palavra oca, utopia, daquelas páginas mais velhas do livro das definições.

domingo, 7 de janeiro de 2018

7 de Janeiro

pasmei por ver incrédulos os três comandantes das barcas cujas cores são dos semáforos sem abrandamento. foi como se lhes não tivesse ainda aparecido pelas ventas ou saído pela boca um desprovido ou infeliz comentário, afinal é tão fácil simular um espanto, estes o fazem com distinção - incoerente aquele senhor! - Dá-se a entender que chegados agora à terra se depararam com esta raça meio frouxa de memória e que disso tiraram partido. Vale-nos a nós não serem só destes os problemas do mundo.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O certo sentido

Tirante as farras mais ou menos expectáveis que se evadiram das goelas dos moçoilos mais rebeldes, porque destes coisa diferente não podia ser esperada, a passagem de um ano para outro sucedeu com relativo silêncio. A Bárbara, talvez por recurso ao conhecido certo sentido (não sexto), cometeu a benfeitoria, só mais tarde reconhecida, de me querer levar a ver o Tejo, a estacar os pés sobre o cais povoado e mergulhar naquele mar de gente que por dias antes já se adivinhava. Disse não. Que ficaria no recato da casa a escutar pelas brechas do estore o ronco pavoroso dos foguetes e a olhar sobre as telhas dos prédios um ou outro fogo que rebentasse em purpurina. Era o bastante. 
Se o nome de festa a cerimónia mereceu, foi então não mais que aqueles brindes forretas que os vizinhos dão aos filhos nos finais de outubro, presentinho mais poupado, duas não eram quando a madrugada fez soltar o último esperneio, a última rosa largada sobre a nuvem passageira, para logo se afundar no silêncio de uma noite qualquer, sem distinção. 
O que valeu foi àquela hora estar a casa do campo ainda em preparos de algazarra, liguei ao meu irmão e metemos os pés a caminho. Cantámos e dançámos, partilharam-se sorrisos e abraços, felicitações, beijos de faces mergulhadas enfim em um choro de alegria. Até os cães pareceram sorrir por lhes estar tão perto a lareira humana.

Deitei-me eram seis com a nítida sensação de um enfardamento bom na alma. Na manhã seguinte, dia um, vi-me obrigado a admitir que, uma vez mais, a Bárbara havia tido a escolha melhor que eu recusara. Reconheci-o, mas não lho disse. Para o ano que vem direi, amor, tive uma ideia excelentíssima, que achas tu de irmos ao Terreiro do Paço? Não tens de quê. 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Crítica a Kant ou bocarras desmedidas

Quezílias e querelas. Com tudo isto se pintam páginas. Pareceram perturbar-se os cibernautas com aquele enxotar de correção acerca do escasso grau de capacidade crítica. O que não se podia ter previsto é terem-se remendado os visados por tão desmedidas bocas e por escrúpulos tão desprovidos de elegância. Talvez a culpa a tenha o professor, por não lhes ter feito este chegar a máxima que diz sobre o silêncio as eternas virtudes. Já não vou a mais: ao menos que o não troquem por tão básica e desprezível linguagem, como foi a do caso que li, Kant é um filha da puta, a culpa não é minha.