segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Hired: Six months undercover in low wage Britain”

Cornadas e derrames. Manda a moderada agressividade que tenho que vos deixe a nota de rodapé: lembremos o sentido figurado. Só desta forma talvez os chifres dos abastados possam, abstratamente, espetar-se contra o muro rigíssimo, e seu líquido escarlate ouse a humanidade de se estender natural sobre as pedras. 
James Bloodworth veio a escrever sobre as portentosas mãos de um grande bicho. Barafustou quanto pôde sobre suas palmas mas, só passado um mês da humilde escravatura decidiu apartar-de dos chicotes e cometer a ousadia de falar. 
Não é de admirar que os grandiosos lucros de uma grande besta, aqui e acolá, escondam nas mucosas as maiores atrocidades às suas presas: ordenados baixíssimos, condições vergonhosas, almoços para lá das seis da tarde e revistas de largos minutos a título não pago. 

A amazon é só um exemplo. Aquele que James nos mostra em “Hired: Six months undercover in low wage Britain”. Está por aí. 


Continuemos com este modo de serventia. Ocultando as temerárias profundezas do rio pelo brilhantismo da superfície. Afinal, mergulhar é de perigo, e sempre se soube que é na mais longínqua fundura do ser que constam os traços capitais dos escrúpulos. Lá onde ninguém vê, quando ninguém vê, porque ninguém vê. James viu, falou. E nós?

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