Na calma de teu regaço, ó minha musa
Assentei nuas, as palmas das mãos tremidas
Que inverno fora este, que noite havia sido
Se tuas malhas quentes, tivessem sido esquecidas
E as tuas mãos, vindo depois lentas
Nas minhas vieram tocando, mornas de seda
Tua pele de algodão, meu semblante inibido
Vestidos caminhámos juntos, em uma só vereda
Caíram gotas das folhagens, era Junho de frio muito
As precianas todas baixas, o silêncio do mundo
Toquei-te os fios do cabelo, se sei de teu perfume
O cheiro das acácias, de teu jardim oriundo
Depois te beijei muito, no caminho do chão de pedra
Se te lembras? Tão bem sabes, certamente
Que eu tomei nota, com desenhos de folha inteira
E aos restos da madeira, guardarei em minha mente
E lembro mais ainda, quanto queres que te diga?
Te direi quanto baste, para saberes que te sei
Não de cor, mas de espanto todo o dia
De não saber que viria, e saber quanto te amei
João Luciano
domingo, 15 de janeiro de 2017
sábado, 7 de janeiro de 2017
Fotografia
E da janela do aposento, branca
a cozinha da casa do campo, bate
a luz no paredão. Dois rostos de vida toda
a cozinha da casa do campo, bate
a luz no paredão. Dois rostos de vida toda
Só o momento tem em soma, e o cheiro não se diz.
O aroma da romãzeira, o chá príncipe.
Dois restos da lembrança
O aroma da romãzeira, o chá príncipe.
Dois restos da lembrança
Captura, captura! Toca no botão! Que o que posso, aqui deixo.
No tom de cinza preto, como a memória se faz ter.
No tom de cinza preto, como a memória se faz ter.
Na forma de fotografia, meu momento triunfante.
Duas faces da beleza, sob o um sol de leveza, e a alegria abundante.
Duas faces da beleza, sob o um sol de leveza, e a alegria abundante.
João Luciano
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
3 de Janeiro
É o terceiro sol, dia de ver as sobras. Uma nesga de luz escassa rompeu a cortina descorada. Na TV fala o repórter ilustre, seu ar sisudo transborda pelo vidro e me invade o aposento, sua voz traz a chuva, é uma espécie de trovão ritmado que todo
o ano rasga o céu, uma vez agora, outra depois mais tarde, aquando se comerão as passas. Tal foi hoje, tal foi ainda há dias, quando a noite se queria em ansiedade pela última vez. E é certo como a morte, cadente que nem ponteiro, fazendo o habitual balanço anual do que foi. Depois, daquilo que virá e, ultimamente, caso se cumpram tradições, é a voz das gentes que se juntará ao canto, todo tão certo de si mesmo, como um cálculo previsível. E eu, músico que sou, tão fora da banda estarei ouvindo. Ouvindo de paixão, invejando sem maldade o compasso que sempre me escapou.
o ano rasga o céu, uma vez agora, outra depois mais tarde, aquando se comerão as passas. Tal foi hoje, tal foi ainda há dias, quando a noite se queria em ansiedade pela última vez. E é certo como a morte, cadente que nem ponteiro, fazendo o habitual balanço anual do que foi. Depois, daquilo que virá e, ultimamente, caso se cumpram tradições, é a voz das gentes que se juntará ao canto, todo tão certo de si mesmo, como um cálculo previsível. E eu, músico que sou, tão fora da banda estarei ouvindo. Ouvindo de paixão, invejando sem maldade o compasso que sempre me escapou.
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