sábado, 26 de novembro de 2016
Esqueceste-me, Pessoa
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
25 de Novembro
Adiado. Palavra nua que me despe consigo. Sim, sou isso, um adiado que não fez ontem; hoje não conta, e o amanhã não vem nunca.
Cá estou. A esteira que me trouxe, me leva devagarinho, e meu registo será oco, sem muito que se conte.
Venha a brisa até aqui. E que faça aplanar tudo o resto. Se cante baixinho, que a vida é balada muda. Ouçam.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Tente-se o poeta
Tente-se o poeta. A ele lhe pôr prazo na produção.
Como na montagem, as mãos repetentes
tocam o ferro, e o moldam de certeza.
Tente-se o poeta. E lhe peçam os favores,
para presentes de aniversário
Assim como quem quer coisa, e faz o pedido, esperando alegria
Tente-se o poeta. E se lhe mostre o sorriso, alegrando-o pois bem
Assim como se fácil fosse, o trabalho de viver contente
Tente-se! E se vá tentando, o poeta, e seu procedimento. Daqui a mais virá, como brinquedo de fabrico, seu mais fingido lamento.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Movimento
Já é a mão morta, a repetir movimento
Apagando, escrevendo, sentindo...
Mais um cruento teclado? Se nem me sente ele a mim,
me toca direto o pêlo. Até me sente o arrepio
E me acolhe um cabelo
se abre desenrolando. E em toque de carinho,
Apagando, escrevendo, sentindo...
domingo, 6 de novembro de 2016
Os meninos brincando
pintaram o céu riscando. E no pardo céu soturno
encolheu a chuva os ombros, e nasceu um céu brando
Pouco a pouco, nuvem a nuvem. Lá se foi
o céu fingido. E seu tom gris, com a tralha colorida
dos balões e papagaios, partiu sem alarido
E se viram as cruzes vermelhas, dos fios enrolados
Os estrondos dos balões! Um grito afortunado!
Lá no fundo um sol novo, trouxe um dia inesperado

