terça-feira, 5 de junho de 2018

Adeus, Pomar

esse grande júlio pomar que parte para o latíbulo e deixa a beleza toda na terra; estais entregue aos anjos, querido pomar, mas o teu lugar é aqui; haveremos de saber-lhes finalmente o género porque vais pôr em telas celestes seus rostos que nem conhecem. obrigado

Eutanásia: que fim?

a seara do latíbulo é desprovida de maquinetas; estende-se única, prazerosa, por mel leitoso.
e o profundo dos infernos, vasto por tudo quanto vastos são os homens, não aglomera gente às cavalitas, espaço há de sobejo, e calor humano.
não se compreende portanto o porquê de nos não lançarem brandos às eternidades, mesmo querendo nós.
afinal a dignidade é um souvenir de vender às pressas, é um adorno para as portinhas da geleira com que, mais tarde ou mais cedo, haveremos de prendar o alto ou o quarto do diabo: aqui tens, senhor meu, em memória de minha terra.